Exposição de Cordeis

Bem vindos a apresentação dos cordéis desenvolvidos pelos alunos 3º ano do curso de História da Universidade da Região de Joinville (Univille), na disciplina de História e Historiografia do Brasil II, durante o terceiro bimestre letivo de 2020, sob orientação da Professora Roberta Meira.
A proposta dessa atividade consistia que após a leitura e estudo do romance “Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães, os estudantes desenvolvessem cordéis a partir dos contextos abordados no romance e estudados em sala.

Infelizmente a experiencia desenvolvida neste site não funciona tão bem em telas pequenas como a de celulares, caso deseje continuar no site, recomendamos utilizar a tela em modo "paisagem" dessa forma a leitura dos cordéis será melhor.

Orientação: Professora Roberta Meira

Escritores:

Escrava Isaura – readaptação - Gabrielle Rodrigues, Gabriel Lopes e Vinícius Medeiros

Entre ficção e realidade - Camila Melechenco e Moroni de Almeida Vidal

A escrava que não era Isaura - Ewerton Cercal, Kryta Leandra, Marina dos Passos, Rafaela Dagnoni e Rafaela Policarpo

Gilberto Freyre e Racismo - Lucas de Souza Borba e Vinícius Mira

A Violação da dignidade - Alex Ribeiro da Silva, Lorenzo Giovani Gava e Luiza Pereira Mello

Mãezinha Morena, rainha do Sertão - Andrew Bernardo Corrêa e Lucas Pscheidt Batista

Do casamento a liberdade - Felipe Pensky, Jean Carlos e João Lucas Ferreira

Design Grafico: Daian Ramos

Desenvolvimento Web: Luana Hellmann e Lucas dos Santos Abreu

UNIVILLE - LICENCIATURA EM HISTÓRIA

Escrava Isaura – readaptação

Autores:

Gabrielle Rodrigues

Gabriel Lopes

Vinícios Medeiros

Capa:

Isaura era uma moça linda, negra

fina e educada

lia e tocava piano

porque era prendada

trabalhava em casa de família

para pagar os estudos

dona Malvina a adorava

porque piano ela tocava

o que Isaura não sabia

era que Leôncio a queria

mas ela não podia

a patroa não perdoaria

em tempos de pandemia

Leôncio mandava juras de amor

pelo computador

mas Isaura não respondia, a insistência acabaria

Leôncio declarou seu amor

Isaura não aceitou, Malvina ouviu

e Leôncio escolheu

Isaura não quis Leôncio e pra casa retornou

Leôncio sequestrou Isaura, por amor

mas a liberdade que Leôncio oferecia

dependia do sim

que Isaura não dizia

Isaura passava os dias pensando na sua família

sua ancestralidade pedia luta

luta essa que nunca cessa

que liberdade tem se tornado essa?

Leôncio era obsessivo, não desistia

Isaura não trairia Malvina, patroa e amiga

Leôncio se enfurecia

a cada não que ela dizia

"Isaura, porque você me rejeita?"

"Jamais trairia minha amiga"

Leôncio percebeu que Isaura não cederia

a força seria o único jeito de fazê-la minha

Miguel, pai de Isaura, foi na polícia procurá-la

registrou a ocorrência e avisou sobre a insistência

de Leôncio a cortejá-la

até que Miguel a encontrou no cativeiro

Planejaram fugir com o carro

chegaram no aeroporto e em Recife pousaram

Alugaram uma casa

e por lá ficaram

Leôncio não suportou a fuga,

colocou anúncios no Facebook sobre a

sua amada “desaparecida”

passando pelo WhatsApp a foto batida

no Recife, Isaura se apaixonou

e logo com Álvaro noivou

seu pai ficou em êxtase,

mas as surpresas não terminariam

Leôncio encontrou Isaura, viu fotos do noivado

que no Instagram foi postado

Leôncio pensou, se não é minha

de Álvaro é que não vai ser!

Leôncio partiu para Recife e Isaura raptou

de volta ao cativeiro, Leôncio falou:

"Case comigo ou vai ser pior!" Isaura se levantou

"Não caso, meu amor não pertence ao senhor!"

Leôncio furioso, partiu pra cima de Isaura,

mas Isaura não seria tomada, ela contava com a força

de todas as suas ancestrais

e de Leôncio conseguiu escapar, quando com força sua cabeça bateu

Isaura não precisava de um homem forte,

ela já era suficiente

Reuniu-se com seu pai,

que com a polícia chegava

Leôncio estava na casa, com a cabeça machucada

e o orgulho ferido, foi direto pra cadeia,

mas Isaura não havia esquecido

Ser mulher no Brasil, é um negócio sofrido

Isaura encontrou seu pai, e seu noivo Álvaro

o casamento logo ocorreu,

Isaura encontrou alguém que finalmente a acolheu

E a qual seu amor sempre pertenceu.

Entre ficção e realidade

Autores:

Camila Melechenco

Moroni de Almeida Vidal

Mulheres tão belas e articuladas,

citadas por vários

Mas protagonistas apagadas.

Nos séculos que serão trabalhados

Não teremos mulheres "empoderadas"

Serão mulheres lindas, obras de arte

Emolduradas.

Por Bernardo Guimarães,

Isaura nos é apresentada.

Uma escrava branca,

Belíssima e educada

Porém a pobre mulher é muito amargurada,

Sente a morte de sua mãe

E seu pai, que não pode visitá-la

Seu dono, Leôncio, pouco pretende libertá-la

Então, vive sem esperança de ser alforriada.

Malvina, esposa de Leôncio,

É uma boa mulher, de família rica,

mas mesmo assim, subordinada.

Vivendo com Leôncio a ser enganada.

O homem a traí a todo momento,

Mesmo sendo compreensiva,

Leôncio só lhe causa tormento

Existe uma terceira mulher na história.

É Rosa, escravizada e negra,

Leôncio a considera escória,

Pois a usou e trocou-a por Isaura

Sendo uma mulher vingativa,

Não podendo descontar em Leôncio,

Sugere a Malvina, que se livrem da cativa

Já na obra de Maria Firmina dos Reis,

primeira escritora negra da História do Brasil,

temos a presença de outras mulheres descritas como encantáveis

mas submersas na melancolia

Comecemos com Úrsula

a personagem que deu nome ao livro

era branca, tímida, acanhada, esta donzela

que amava se afugentar na natureza

Sua mãe, Luísa B, era uma bela mulher

que estava enferma, arrastando a custo sua penosa existência

para que a sua filha pudesse acolher

de toda a sofrência

Nessa história ainda há Susana

uma mulher africana que era a escravizada de Luísa,

para a qual, a liberdade, era apenas uma lembrança desumana

da barbaridade daqueles que se achavam humanos

E como se não fosse suficiente tamanho sofrimento dessas mulheres

O irmão de Luísa, Fernando, confessou ter matado seu esposo

E ainda ousou pedir a mão de Úrsula

Sua mãe morreu ante ao desdenhoso

Úrsula então fugiu para se casar com a sua paixão,

Tancredo, homem gentil e amoroso

mas logo Fernando os encontrou e matou o amor de Úrsula sem compaixão

E trancou a escravizada Susana no porão sem comida e luz o asqueroso

Úrsula morrera então com a dor de sua perda

E Susana condenada a morrer como em um Navio Negreiro

Diante de tamanha dor e crueldade na ficção

Podemos perceber a atroz sobrevivência feminina na realidade

E talvez você se pergunte “qual o futuro dessa tal humanidade?”

E nós vos respondemos. Não temos um ponto de chegada

Mas existe uma luta constante,

Que não só às mulheres foi delegada.

Junto ao feminismo lutemos contra essa situação inquietante

A escrava que não era Isaura

Autores:

Ewerton Cercal

Kryta Leandra

Marina dos Passos

Rafaela Dagnoni

Rafaela Policarpo

Capa: Mangarataia

Essa história é

verdadeira

é de dois séculos

passados...

quando chegou em São Paulo

um navio, e entre embarcados

os presos escravizados.

Acostando o navio,

logo todos reagiram

pois entre os viajantes

viram algo anormal:

uma jovem, também cativa

cuja beleza, romanceada

trouxe comoção geral.

Ela tinha cabelos loiros e era branca como o sal

e por ser assim tão branca

compadeceram-se os homens.

Foi batizada Francisca,

sua alforria foi comprada

e todos os jornais da cidade

anunciaram com muito gozo

a bela história contada

da escrava agraciada

pelo dono generoso.

Ninguém sabe qual seu nome

ou de onde ela veio

é certo que de boa vontade

o inferno já está cheio.

E não fora só Francisca

escrava branca resgatada

outros, e ‘inda mais mulheres

foram também libertadas

graças aos ‘heróis defensores’

que não podiam aceitar

ver rostos tão belos, tão brancos

e as mãos acorrentadas.

A brancura da pele

era a virtude representada

evocava até mesmo os versos

dos românticos da palavra.

José do Patrocínio

abertamente criticava

algumas pessoas do movimento

abolicionista que se formava

pois aceitavam a escravidão

quando imposta à pele escura,

e ainda assim se indignavam

quando o crime tão violento

era imposto à pele clara.

Contudo, já disse Isaura:

"Apesar de tudo isso que sou mais do que uma escrava?"

Essa educação que me deram e essa beleza de que falam tanto

são trastes de luxo colocados na senzala do africano.*

Aquelas que não tinham a sorte

da branca liberta Francisca

trabalhavam nos lares

servindo às famílias.

Segundo o Robert Walsh

um tal inglês viajante

era o princípio do ventre livre

que nessas terras era dominante

o ventre, escravizado

seguia a vida nascente

era uma marca no sangue

fixa, permanente.

Uma mulher liberta

com seu filho branco e livre

conquistava a liberdade

da criança que desperta.

‘livres, forros, escravos’

não resumiam o que separava

negro, criolo ou pardo

e quem não era Isaura?

Muito menos Francisca?

E quanto aos homens e mulheres pretos

que não tiveram saída?

E encerro esse cordel

expondo essa história vil

escondida na bandeira

dessa pátria ‘mãe gentil’.

* Paráfrase do texto: GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1976, p.13

Gilberto Freyre e Racismo

Autores:

Lucas de Souza Borba

Vinícius Mira

Capa:

Gilberto de Mello Freyre é pernambucano,

Intelectual multi premiado

Da noção de democracia racial foi o decano

E até hoje é o mais lembrado

Assim como Lispector, Quintana e Drummond

Nunca teve cadeira na ABL

Agraciados foram FHC, Sarney e Dumont

A Academia é quem perde!

Como todo pensador influente

Colocam palavras na sua boca

Em função dos usos políticos do presente

Dizem que ele disse cada coisa…

Democracia racial não nega racismo

É coexistência de diversidade

Produto do lusotropicalismo

Que explica nossa sociedade

Todo brasileiro carrega consigo

A marca cultural do africano

É o que de Freyre eu digo

Que causou certo engano

O que será que ele entendia por brasileiro?

Qual sua ideia de alteridade?

Na relação da ama de leite com o filho do fazendeiro

Que se constituía essa sociabilidade

O negro era imprescindível na sociedade colonial

Freyre defende com veemência

De tão fundamental

Não existiria essa sociedade na sua ausência

Aqui é um ponto polêmico

Críticos apontam uma certa idealização

Esse papel defendido como sistêmico

É cruel para essa população

Seja como for

Freyre escreveu em tempos de eugenia

Tem certo cunho transgressor

Em sua antropologia

Além disso, devo dizer

Freyre estudou nos Estados Unidos

O racismo que lá pode ver

Tem outros sentidos

Enquanto referencial de comparação

O racismo dos trópicos é velado

Os ianques tinham segregação

De preconceito escrachado

Freyre é pensador estruturante

Em História do Brasil é uma tarifa de imposto

Todo mundo que estuda tem que pagar o seu montante

Para tão relevante pressuposto

Mãezinha Morena, rainha do Sertão

Autores:

Andrew Bernardo Corrêa

Lucas Pscheidt Batista

Se vive ou esteve no Sertão

e viu as coisas de que vou falar

deve a Mãezinha Morena, uma prece fazer!

Para o Pai do Céu vamos então rezar.

Se não acredita, se achegue,

pois nesse cordel vou venerar.

Foi num tempo inesquecível,

da simplicidade e de graças,

quando tudo era pela vida,

pela fé, pelas festanças nas praças.

São João, Santo Antônio,

o retrato dos santos, das santas nas vidraças.

Curou os doentes, honrou os pobres

estremeceu os injustos e afastou o mal

traz felicidade, cura e alimento para mesa.

Sabe de quem é a conquista de tal?

Nosso, por intermédio da mãe

para família, conquista tão sentimental

Dá para ver nas artes

nos cordéis e poesias

nas pinturas das Igrejas e sermões dos padres

que a Senhora alumia, intercede

pela gente, pelo sertão, pelas cidades.

Crença e tempo que não é melhor que o seu,

é apenas cheio de nostalgia, de maneira diferente

Quem viveu lembra de tudo

e quem não lembrou, vai ter um dia mais contente.

A violação da dignidade

Autores:

Alex Ribeiro da Silva

Lorenzo Giovani Gava

Luiza Pereira Mello

Violação da dignidade

Quando um humano é transformado em propriedade

Tratado como objeto inanimado

Sequestrado, anunciado e vendido

Separados de suas comunidades

A um oceano inteiro distantes de seus familiares

Distante dos seus parentes

Sem dança e sem batuques

No lugar dos adornos são colocadas correntes

Sem vida própria, alma ou opinião

Suas crenças nem de longe respeitadas como religião

Suas peles retintas jamais enxergadas com compaixão

Em suas costas as marcas da mutilação

Em seus espíritos um luto que não cessa

Uma dor que conversa:

com a saudade; com a vulnerabilidade; com a falta que faz para o homem a sua liberdade

A cultura, sabedoria e saudade são presentes

Curandeiros, cozinheiros e guerreiros valentes

Alguns forçados ao trabalho no campo

Alguns a servir seus “proprietários” dentro de casa

E outros foram transformados em vendedores urbanos

Quando podiam ficar com alguns ganhos

Assim tendo mais chance de comprar a própria dignidade

Com a alforria vinha a liberdade

Um grito de esperança após tamanha promiscuidade

"Ó meu Orixá, dá-me piedade"

Para assim seguir meus caminhos com dignidade

Tanto sofrimento queima a retintas , me distancia da minha cultura; da minha comunidade

"Ó meu Orixá, nessa terra o azul brilha bonito"

Mas na minha terra o meu azul brilha melhor

Do casamento à Liberdade

Autores:

Felipe Pensky

Jean Carlos

João Lucas Ferreira

Leôncio é questionado por Malvina

Sobre as providencias

necessárias para o grande dia

Responde sorridente - Pela centésima vez,

As providencias de minha parte já dei jeito,

E é verdade

"Ontem mesmo mandei o tabelião passar

A escritura de liberdade

De Isaura com toda solenidade

E, também, mandei o padre

Celebrar o casamento com toda sua autoridade

E tu, Malvina, manda preparar

A capela para efetuar o casamento,

Já que desejas mais que todos esse momento"

Leôncio se acha em solidão

Após a partida de Malvina

Mas por sorte ali encontra

um companheiro chamado Jorge

Faz de Jorge seu amigo-confidente

Conta seus planos maléficos, perversos e doentes

Em uma de suas conversas,

Fala sobre seu real plano com o casamento de Isaura

Lhe dar o castigo que merece

Por sua inqualificável rebeldia

Conserva-la cativa em seu poder

E reconciliar-se com minha mulher

Em sua moradia, vários eram os interesses

Leôncio queria tirar vantagens

Mas o que não esperavam

Que Leôncio já não mandava em sua liberdade

A partir desse momento Álvaro tem a verdade

E Isaura não é mais cativa

Mais sim uma senhora ativa

Leôncio não aguenta

Perder sua escrava "amada"

Ver ela se torna senhora

E ele os escravizado

Muito perturbado saiu atordoado

Só se ouviu lá fora, um tiro de pistola.